França registrou mil mortes acima do esperado durante pico de onda de calor que atingiu a Europa. (Foto: Imagem Ilustrativa/A Crítica)A onda de calor que atingiu a Europa provocou cerca de mil mortes acima do esperado na França na última semana, segundo a agência de saúde pública do país. O aumento foi registrado no período mais intenso do calor, entre 24 e 26 de junho, e a estimativa ainda pode subir com a consolidação dos dados, sobretudo dos óbitos ocorridos em residências.
De acordo com o balanço francês, o avanço das mortes foi mais forte nas áreas colocadas sob alerta vermelho para calor extremo, que chegaram a abranger grande parte do país. A agência também informou que 85% das vítimas tinham 65 anos ou mais, num quadro que expôs o peso do calor sobre os grupos mais vulneráveis.
O fenômeno não ficou restrito à França. A onda de calor avançou pelo continente e derrubou recordes em vários países ao longo do fim de semana. Na Alemanha, medições preliminares apontaram temperaturas históricas acima de 41°C, enquanto o calor também elevou o risco de incêndios florestais, pressionou serviços de emergência e afetou transportes e rodovias.
Em Berlim, a polícia chegou a usar canhões de água em frente ao Portão de Brandemburgo para refrescar moradores e turistas, numa cena incomum que virou símbolo da intensidade do calor. O país também registrou aumento no número de atendimentos relacionados a doenças causadas pelas altas temperaturas.
Um estudo da World Weather Attribution apontou que o calor e a umidade extremos observados na Europa nesta semana não teriam sido possíveis sem as mudanças climáticas. Segundo a análise, esse tipo de evento era praticamente impossível há cerca de 50 anos e hoje se tornou dezenas a centenas de vezes mais provável, com chance cerca de 200 vezes maior do que há 20 anos.
Além do impacto direto sobre a saúde, o calor extremo também foi seguido por tempestades em partes do continente, com registros de raios, interrupções no transporte e novos focos de incêndio. O cenário ampliou a pressão sobre autoridades europeias, num momento em que o continente enfrenta eventos climáticos cada vez mais frequentes e severos.
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