Bonito, um dos principais destinos turísticos do país, também vem se destacando pelo crescimento de pequenos negócios liderados por mulheres que encontraram na criatividade e na sustentabilidade uma forma de transformar o turismo em oportunidade de renda.
Artesanato personalizado, reciclagem de resíduos orgânicos e cosméticos naturais fazem parte das iniciativas apresentadas durante o Inspira Ecoturismo, evento realizado na cidade. Além de fortalecerem a economia local, os projetos também apostam em práticas sustentáveis e na valorização da identidade regional.
A artesã Sueli Alves Barbosa da Silva é um dos exemplos desse movimento. O negócio começou de forma simples, dentro de casa, com barrados para pano de prato. Aos poucos, vieram as encomendas de estojos, nécessaires e acessórios. ”Eu comecei pequenininho e aí não parei mais, foi só evoluindo”, relembrou.


Com o aumento da procura, ela percebeu que precisava ampliar o espaço de produção. Hoje, Sueli mantém uma loja física em Bonito especializada em estamparia artesanal personalizada em tecidos, azulejos e canecas.”Chegou num ponto que já não cabia mais dentro da minha casa”.
Além de atender turistas, os produtos também são vendidos em outros estabelecimentos da cidade, em uma papelaria de Campo Grande e pela internet. Segundo a empreendedora, o diferencial está justamente na exclusividade das estampas. ”O diferencial é porque ele é personalizado. Sou eu mesma que crio as estampas e não vendo para outras pessoas reproduzirem, é tudo muito exclisivo”.
A personalização de fotos feitas por turistas durante os passeios virou um dos serviços mais procurados. As imagens são transformadas em lembranças como bolsas, canecas e azulejos.
Uma das encomendas mais marcantes, segundo ela, veio de uma família do Piauí que passou vários dias em Bonito e decidiu registrar os momentos da viagem em peças personalizadas para presentear amigos e familiares. Antes de abrir a loja física, Sueli procurou apoio do Sebrae para entender melhor o mercado e estruturar o negócio. ”Eu tinha medo de não dar conta. Fiz todo um estudo junto com o Sebrae, porque sozinha eu não conseguiria, o Sebrae me ajudou muito”.
Hoje aposentada do serviço público, ela se dedica exclusivamente ao artesanato e decidiu se mudar definitivamente para Bonito.
Sustentabilidade no turismo
Outra iniciativa que vem ganhando espaço na cidade é a startup Ciclo Azul, criada pela empreendedora Lívia Cordeiro. A empresa nasceu em Bonito por meio do programa Centelha, que é voltado à inovação e ao desenvolvimento de novos negócios.
A proposta da startup é oferecer soluções de gestão ambiental para empresas ligadas ao turismo. O trabalho começou no bairro onde a empresa surgiu, com o chamado Clube da Compostagem. Atualmente, a Ciclo Azul atende mais de 20 empresas e recicla cerca de 30 toneladas de resíduos orgânicos por mês, material que antes era descartado em aterros e lixões.



Além da coleta, a empresa desenvolveu um sistema de rastreabilidade com QR codes e aplicativo próprio para acompanhar todo o processo de descarte e reaproveitamento dos resíduos. Segundo Lívia, o trabalho envolve desde equipes de limpeza até proprietários e gerentes das empresas parceiras. ”A questão ambiental consegue passar por todos os níveis da empresa, destacou.
Todo o material recolhido é levado para o viveiro municipal de Bonito, onde passa pelo processo de compostagem e se transforma em adubo utilizado na produção de mudas e em ações de restauração florestal. ”A Ciclo Azul está transformado o que era lixo em novas florestas”, resumiu a empresária.
Parte do composto orgânico também retorna para os próprios clientes, que utilizam o material em hortas e jardins e todo o excedente é vendido no viveiro municipal. A startup ainda mantém parcerias com prefeitura, Embrapa e Finep para ampliar a produção e desenvolver novas tecnologias voltadas à recuperação ambiental.
A meta, segundo Lívia, é aumentar a capacidade de atendimento e futuramente tratar 100% dos resíduos orgânicos gerados no município. Ela explica que o adubo orgânico ajuda a devolver nutrientes e a microbiota ao solo, reduzindo impactos ambientais e melhorando a qualidade do plantio.
A empresa também auxilia restaurantes e empreendimentos na busca por certificações ambientais. Um dos casos citados foi o restaurante Bacuri, que foi reconhecido como o primeiro restaurante de Mato Grosso do Sul lixo zero e o decimo segundo do pais. ”Assumir esse compromisso exige cuidado diário, mas o resultado vem com diferencial no mercado e impacto ambiental positivo”.
Produtos naturais
A sustentabilidade também aparece no setor de cosméticos. Durante o evento, a representante Arielle apresentou os produtos da marca Or, especializada em shampoos e condicionadores em barra produzidos com ingredientes naturais.
Os produtos utilizam manteigas e óleos vegetais como murumuru e tucumã, sem sulfatos presentes em shampoos convencionais. ”São produtos, que ajudam na hidratação sem agredir o couro cabeludo”.



Segundo Arielle, os itens podem ser usados em diferentes tipos de cabelo e são indicados para pessoas a partir de quatro anos. A marca também oferece uma versão masculina detox, feita com carvão ativado e argila, indicada para cabelo e barba.
Outro diferencial é a praticidade para viagens. Os produtos são vendidos com suportes vedados para transporte sem risco de vazamentos. Cada barra custa R$ 47,80. O kit com shampoo e condicionador sai por R$ 97,80 e pode durar entre dois e três meses, dependendo da frequência de uso.
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