Três espécies emblemáticas do Pantanal passaram a contar com proteção internacional reforçada após decisão tomada durante a COP15, realizada em Campo Grande. A ariranha, o caboclinho-do-pantanal e o pintado foram incluídos nos apêndices da convenção, ampliando a cooperação global para evitar o avanço da extinção.
A medida foi aprovada por unanimidade e envolve representantes de mais de 130 países, consolidando diretrizes internacionais voltadas à proteção de espécies migratórias ameaçadas.
A ariranha, um dos principais símbolos da biodiversidade sul-americana, passa a ter atenção ampliada em nível global. O animal, que pode atingir até 1,70 metro de comprimento, agora integra mecanismos que garantem ações coordenadas entre países onde ainda existem populações.
Exclusiva da América do Sul, a espécie já foi registrada em 11 países, da Venezuela ao Uruguai. Atualmente, porém, o cenário é mais restrito: desapareceu do território uruguaio e enfrenta risco elevado em regiões como Argentina, Paraguai e Equador.
A redução de habitat e a queda populacional fizeram a área de ocorrência diminuir cerca de 40% nas últimas décadas. Hoje, estima-se que existam aproximadamente 5 mil indivíduos na natureza, com o Brasil concentrando as maiores populações, especialmente no Pantanal e na Amazônia.
Além da ariranha, outras duas espécies do bioma também passaram a integrar os apêndices da Convenção sobre Espécies Migratórias: o caboclinho-do-pantanal e o pintado.
O caboclinho-do-pantanal é uma ave migratória que percorre países como Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia. A espécie utiliza o Pantanal como área de reprodução entre os meses de outubro e março, o que reforça a necessidade de ações integradas entre os territórios.
Já o pintado, peixe típico das bacias dos rios São Francisco e da Prata, incluindo regiões do sistema Paraná-Paraguai, já era classificado como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza. A inclusão na convenção busca fortalecer estratégias conjuntas de preservação.
De acordo com o presidente da conferência, João Paulo Capobianco, a entrada das espécies no Apêndice II indica a necessidade de planos de proteção coordenados entre os países.
No caso da ariranha, considerada criticamente ameaçada, a presença nos Apêndices I e II reforça ainda mais a urgência de medidas efetivas para evitar o desaparecimento.
As decisões da conferência estabelecem bases para que especialistas e governos atuem de forma conjunta na elaboração de planos de ação. A expectativa é conter o declínio das populações e garantir a preservação dessas espécies ao longo dos próximos anos.
Especialistas avaliam que a inclusão nas listas internacionais tende a ampliar investimentos, fortalecer políticas ambientais e aumentar o nível de proteção, consolidando a cooperação global como peça-chave para a sobrevivência da fauna do Pantanal.
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