Foto: FSF
Enquanto o mundo registra números recordes de deslocamento forçado, uma organização criada em Campo Grande ajuda a transformar a realidade de milhares de pessoas que tiveram de abandonar suas casas para escapar da guerra, da violência e da perseguição.
Neste 20 de junho, Dia Mundial do Refugiado, a Fraternidade Sem Fronteiras (FSF) destaca o trabalho desenvolvido junto a populações refugiadas no continente africano. Atualmente, os projetos da instituição garantem acolhimento, educação, alimentação e oportunidades de reconstrução de vida para mais de 3,4 mil pessoas no Malawi e no Burundi.
Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), mais de 117,3 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas em todo o mundo devido a conflitos armados, perseguições, violência e violações de direitos humanos.
Refugiados não escolhem partir
Diferentemente dos migrantes, que deixam seus países em busca de novas oportunidades, os refugiados são obrigados a fugir para preservar a própria vida e a segurança de suas famílias.
Em muitos casos, a saída ocorre de forma repentina, sem planejamento e sem a possibilidade de retorno imediato.
Guerras civis, conflitos étnicos, perseguições políticas e crises humanitárias estão entre os principais fatores que levam milhões de pessoas a cruzar fronteiras em busca de proteção.
Crianças órfãs resgatadas da guerra
Uma das iniciativas da FSF acontece no Burundi, país vizinho à República Democrática do Congo, onde a violência provocada por grupos armados já dura décadas.
O agravamento dos conflitos no leste congolês elevou o número de famílias deslocadas e deixou milhares de crianças sem proteção.
Diante dessa realidade, a organização criou em 2021 o projeto Órfãos do Congo, que acolhe crianças retiradas de áreas de conflito e oferece moradia, alimentação, atendimento médico, educação e acompanhamento socioemocional.
Atualmente, 326 crianças vivem nos lares mantidos pela instituição.
O objetivo é garantir não apenas proteção imediata, mas também a possibilidade de um futuro seguro.
Desenvolvimento ao lado de um dos maiores campos de refugiados da África
Outra frente de atuação está no Malawi, onde a FSF mantém o projeto Nação Ubuntu, instalado próximo ao Campo de Refugiados de Dzaleka.
O local recebe milhares de pessoas vindas principalmente da República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi, países marcados por conflitos e instabilidade política.
A região enfrenta desafios relacionados ao acesso à água, alimentação, saneamento, saúde e geração de renda.
Para enfrentar essa realidade, o projeto desenvolve ações de educação, capacitação profissional, agrofloresta, produção sustentável e fortalecimento comunitário.
Hoje, mais de 3 mil refugiados são atendidos diretamente pelas iniciativas desenvolvidas na região.
Apesar disso, a demanda ainda é muito superior à capacidade de atendimento. Estima-se que cerca de 60 mil pessoas vivam atualmente no campo de refugiados.
Mais que assistência emergencial
Além de garantir acolhimento imediato, a proposta da Fraternidade Sem Fronteiras é criar condições para que famílias e crianças reconstruam suas vidas com dignidade.
Por meio dos projetos humanitários, a organização oferece mais de 172 mil refeições por mês, mantém mais de 2 mil estudantes matriculados na escola e promove ações voltadas ao desenvolvimento humano e à autonomia das comunidades atendidas.
A instituição reforça que o Dia Mundial do Refugiado é também um momento para ampliar a conscientização sobre a importância da solidariedade internacional.
“Milhões de pessoas perderam suas casas, suas referências e, muitas vezes, seus familiares. Mais do que assistência emergencial, elas precisam de oportunidades para recomeçar com segurança, dignidade e esperança”, destaca a organização.
Organização nasceu em Campo Grande
Criada em Campo Grande, a Fraternidade Sem Fronteiras tornou-se uma das maiores organizações humanitárias brasileiras com atuação internacional.
Atualmente, a entidade acolhe cerca de 37 mil pessoas, mantém 77 polos de trabalho e desenvolve projetos permanentes de combate à fome, educação, saúde, acolhimento e desenvolvimento humano em diversos países africanos, além de ações sociais no Brasil.
Todos os projetos são mantidos por meio de doações e programas de apadrinhamento, com contribuições a partir de R$ 35 mensais.
O post Refugiados da guerra encontram esperança em projetos criados por organização de MS apareceu primeiro em RCN67.
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