Liberação do Estreito de Ormuz deve injetar adubos nitrogenados rapidamente no mercado – Foto: Gerada pelo Gemini
O avanço nas tratativas de paz no Oriente Médio começou a repercutir diretamente no comércio global de insumos agrícolas, trazendo uma perspectiva de desvalorização nos preços para os próximos meses.
O principal fator para essa tendência de baixa é a expectativa de normalização do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, um dos canais logísticos mais importantes do planeta, o que deve destravar o escoamento de adubos produzidos na região e inflar a oferta global.
“O avanço das negociações no Oriente Médio tem potencial para destravar fluxos logísticos essenciais para o mercado de fertilizantes. Com isso, a tendência é de aumento da oferta global de adubos, o que pode pressionar os preços para baixo”, afirma o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías.
No entanto, o impacto desse alívio geopolítico não vai atingir o mercado de fertilizantes de maneira uniforme. A velocidade e a intensidade da queda dos preços devem variar drasticamente entre os diferentes segmentos do complexo NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio).
Injeção rápida de nitrogenados e queda da ureia
O mercado de nitrogenados é o que apresenta a resposta mais direta e imediata à desobstrução das rotas no Oriente Médio. Como a região concentra grandes volumes de produção e exportação desse segmento, a liberação das vias marítimas resulta em um aumento rápido da disponibilidade do produto no cenário internacional.
Esta dinâmica de alta na oferta já se reflete nos indicadores de preços atuais. A ureia, principal referência entre os fertilizantes nitrogenados, já acumula oito semanas consecutivas de desvalorização no mercado internacional, com tendência de continuidade na pressão baixista enquanto o fluxo logístico seguir sem interrupções.
Gargalo industrial segura preço dos fosfatados
Por outro lado, o segmento de fosfatados enfrenta uma realidade estrutural complexa que anula parte dos benefícios da melhora logística. Mesmo com portos e canais abertos, o setor lida com uma severa escassez global de enxofre, matéria-prima indispensável para a fabricação desses adubos.
Nos últimos meses, a falta de enxofre encareceu os custos de produção da indústria. Para evitar margens negativas, fabricantes globais reduziram o ritmo de processamento nas usinas, o que acabou restringindo a oferta do produto final e sustentando os preços elevados.
Como consequência direta desse cenário, o MAP (fosfato monoamônico), um dos fertilizantes mais demandados pelo agronegócio brasileiro, tem apresentado forte estabilidade nas últimas semanas, resistindo ao movimento de queda registrado pelos nitrogenados.
“Mesmo com a melhora logística no Oriente Médio, o mercado de fosfatados ainda enfrenta uma restrição importante do lado da oferta, que é a disponibilidade de enxofre. Esse fator tende a limitar quedas mais acentuadas de preços no curto prazo”, explica Pernías.
Tendência de rigidez nos preços
A expectativa é que a normalização no fornecimento de enxofre seja um processo lento no comércio internacional. De acordo com o analista, esse descompasso dita o ritmo atual das negociações no campo.
“A diferença na trajetória de preços entre ureia e MAP ilustra bem o atual momento do mercado. Mesmo com uma demanda mais fraca em ambos os segmentos, fatores de oferta distintos continuam determinantes para a formação de preços”, conclui Pernías.
*Com informações da StoneX
O post Preço de fertilizantes deve recuar com alívio no Oriente Médio, mas queda será desigual apareceu primeiro em RCN67.
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