Carga avaliada em mais de R$ 15 milhões incluía canetas emagrecedoras e anabolizantes. Fotos: Victor Arguelho/Vice-governadoria
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul realizou nesta sexta-feira (19), em Dourados, a incineração de aproximadamente uma tonelada de medicamentos e produtos irregulares apreendidos em operações de fiscalização realizadas em diversas regiões do Estado.
Considerada uma das maiores ações do tipo já realizadas no país, a destruição ocorreu em uma empresa especializada em tratamento de resíduos e deu destinação final a medicamentos emagrecedores análogos de GLP-1, canetas emagrecedoras, peptídeos utilizados para fins estéticos e esteroides anabolizantes de origem estrangeira sem registro ou regularização junto à Anvisa.
O transporte da carga entre Campo Grande e Dourados contou com escolta da Polícia Rodoviária Federal, responsável por garantir a segurança do material até sua destruição.
Segundo a Vigilância Sanitária Estadual, os produtos foram apreendidos em fiscalizações realizadas em centros de distribuição dos Correios e transportadoras. Apenas neste ano, mais de 20 mil itens irregulares foram retirados de circulação, com valor estimado superior a R$ 15 milhões.
Para o gerente da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo, a incineração representa a etapa final de um trabalho contínuo de proteção à saúde pública.
“A destruição desses produtos demonstra que medicamentos apreendidos em ações sanitárias não retornam ao mercado. É uma medida que garante segurança à população e reforça o compromisso da Vigilância Sanitária no combate ao comércio ilegal de produtos que podem causar sérios danos à saúde”.
Segundo ele, o volume de apreensões revela a dimensão do mercado clandestino.
“Em poucos meses de operação, alcançamos um volume de apreensões sem precedentes. Trata-se de um trabalho permanente de fiscalização, que busca interromper a circulação de produtos sem qualquer garantia de qualidade, procedência ou segurança para a população”.
Venda irregular cresce em plataformas digitais
De acordo com a Vigilância Sanitária, grande parte dos produtos apreendidos era comercializada por meios não autorizados, como redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas digitais, sem qualquer controle sobre procedência, armazenamento ou transporte.
Diretor-executivo da Abrafarma, Serafim Branco Neto alerta para os riscos desse tipo de compra.
“Nossa principal preocupação são os canais não regularizados, onde muitas vezes não é possível identificar a origem do produto nem verificar as condições adequadas de transporte e armazenamento. Garantir a rastreabilidade desses medicamentos é fundamental para oferecer mais segurança e transparência ao consumidor”.
Especialistas alertam para riscos das canetas emagrecedoras
Entre os itens destruídos estavam medicamentos utilizados para emagrecimento que exigem prescrição médica e acompanhamento especializado.
A endocrinologista Bianca Paraguassu, representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia em Mato Grosso do Sul, destaca que a compra desses produtos fora dos canais autorizados pode trazer sérios riscos.
“O primeiro e maior risco é a ausência total de controle de qualidade. Esses medicamentos exigem armazenamento e transporte adequados, especialmente porque muitos são produtos biológicos. Quando adquiridos no mercado clandestino, o paciente não tem qualquer garantia sobre a eficácia, a pureza ou a segurança da substância que está utilizando”.
A médica afirma que produtos falsificados ou de origem desconhecida podem conter substâncias diferentes das indicadas na embalagem.
“Em apreensões realizadas em diversas partes do país, já foram identificados produtos que continham desde substâncias sem efeito terapêutico até componentes capazes de provocar reações graves. O paciente busca um resultado rápido, mas pode acabar enfrentando complicações sérias e até mesmo situações de emergência”.
Bianca também alerta para os riscos da automedicação e do uso sem acompanhamento profissional.
“Sem orientação médica, o paciente pode desenvolver náuseas intensas, vômitos, desidratação, além de aumentar o risco de complicações como pancreatite, problemas na vesícula e lesões renais. Outro ponto importante é a perda acelerada de massa muscular e massa óssea, que pode trazer consequências duradouras para a saúde”.
Para a especialista, o tratamento da obesidade exige acompanhamento individualizado e não pode se resumir ao uso de medicamentos.
“A medicação pode ser uma ferramenta extremamente importante, mas ela não substitui o cuidado integral com a saúde. O uso seguro passa necessariamente pela avaliação médica, pela prescrição adequada e pela aquisição do produto em estabelecimentos regularizados”.
A incineração teve ainda o objetivo de demonstrar que medicamentos apreendidos em operações sanitárias recebem destinação definitiva e não retornam ao mercado. A orientação das autoridades é que a população adquira medicamentos apenas em estabelecimentos autorizados e denuncie a comercialização irregular aos órgãos competentes.
O post MS incinera uma tonelada de medicamentos irregulares apreendidos apareceu primeiro em RCN67.
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