Uma idosa de 72 anos de idade, que trabalha como salgadeira, foi resgatada em severas condições de abandono de incapaz no início da tarde desta segunda-feira (22). A ocorrência de vulnerabilidade social e familiar foi registrada em uma residência situada na Rua Domingos Belantani, no bairro Parque do Lageado, em Campo Grande.
O resgate da idosa teve início após uma moradora da vizinhança escutar os clamores de socorro vindos do interior do imóvel. Ao entrar no local para averiguar, a testemunha deparou-se com um cenário de extrema precariedade, marcado por sujeira acumulada, desorganização estrutural e lixo espalhado pelos cômodos.
Ao ser acolhida pela vizinha, a idosa relatou que estava há dias sem se alimentar de maneira adequada. A moradora revelou ainda que, apesar de possuir uma filha de 54 anos de idade, não recebia qualquer tipo de assistência, amparo ou auxílio financeiro e afetivo por parte de seus familiares.
Uma guarnição da Polícia Militar foi acionada via telefone de emergência e confirmou o estado de total abandono assim que chegou ao endereço. Durante o atendimento inicial dos militares, a idosa manteve-se consciente e não exibia ferimentos ou lesões corporais visíveis na pele.
Apesar da ausência de agressões físicas, a idosa demonstrava sinais claros de debilidade biológica, apresentando fala arrastada e respiração bastante ofegante. Ela explicou aos policiais que necessita fazer uso contínuo de diversos medicamentos controlados e que está enfrentando um tratamento ativo contra o câncer.
Diante do quadro de saúde fragilizado, socorristas do Corpo de Bombeiros foram mobilizados para realizar os primeiros socorros de suporte básico. Após a estabilização clínica no local, a paciente foi encaminhada de ambulância para receber atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Universitário.
Ainda no andamento das diligências na residência, os policiais militares tentaram efetuar ligações telefônicas para a filha da idosa utilizando o aparelho celular da própria vítima. Contudo, todas as tentativas de contato eletrônico restaram infrutíferas e ninguém atendeu as chamadas.
Durante a confecção do boletim de ocorrência no local, uma conhecida da paciente informou aos policiais que o descaso da família e as más condições de habitabilidade do imóvel já haviam sido objetos de denúncias formais anteriores. Ela destacou que a idosa sobrevivia frequentemente graças à doação de alimentos por parte dos vizinhos.
O caso de abandono de incapaz foi registrado formalmente na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Cepol para a abertura do inquérito policial. O espaço investigativo segue aberto pelas autoridades competentes para que os familiares citados possam apresentar suas justificativas legais.
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