Ter um plano de negócios estruturado e metas bem desenhadas no papel não é mais garantia de sucesso no mercado atual. Essa foi a provocação inicial da Managing Partner e sócia da FESA Group, Thayanie Ujino, em sua palestra na 8ª edição do RCN em Ação, AMCHAM CEO Forum, nesta sexta-feira (29).
Falando para centenas de lideranças em Campo Grande, a especialista em recursos humanos trouxe dados globais alarmantes: cerca de 70% das transformações nas organizações fracassam não por erros no planejamento, mas sim pela falta de capacidade humana para tirar as ideias do papel.
Para a palestrante, o hábito corporativo de culpar a ponta da operação quando os resultados não aparecem é um erro crônico de diagnóstico. Segundo Thayanie, quando os indicadores deixam de ser atingidos, a raiz do problema quase sempre está no topo da pirâmide.
“A estratégia não quebra na operação. A estratégia quebra na liderança”, disparou a executiva, reforçando que cabe aos gestores avaliar se estão comunicando as metas com clareza, engajando os colaboradores e posicionando as pessoas certas nos lugares certos.
O fim da era do líder herói
Um dos pontos altos do debate girou em torno do perfil profissional exigido pelo mercado atual, altamente dinâmico e impactado por ferramentas de Inteligência Artificial.
Thayanie desmistificou a figura do gestor centralizador. No contexto contemporâneo, o verdadeiro “herói” não é aquele que tenta executar tudo sozinho, o que se mostra impossível e desastroso, mas sim o líder que atua como um arquiteto ou maestro, focado em construir e coordenar equipes de alta performance.
A executiva alertou que a execução estratégica nas empresas depende diretamente da identificação dos chamados “campeões de execução”. Trata-se de colaboradores espalhados por diversas áreas que possuem características essenciais para o momento atual: são autênticos, altamente adaptáveis, sabem lidar com a pressão, influenciam os colegas sem precisar mandar e focam na solução em vez de adotarem uma postura de vítimas diante dos problemas.
Para que esses talentos apareçam, contudo, a estratégia precisa ser amplamente comunicada.
Segurança psicológica e ambientes antifrágeis
A sócia da FESA Group também quebrou um antigo mito do ecossistema empresarial: o de que ambientes baseados exclusivamente na pressão extrema geram melhores resultados.
Ela defendeu que a verdadeira alta performance exige metas elevadas, mas necessita, obrigatoriamente, de segurança psicológica para que as pessoas tenham liberdade de falar, sugerir e apontar erros sem medo de retaliações ou microagressões. Sem esse espaço de confiança, os colaboradores tendem a ocultar os problemas e o resultado final da companhia acaba sendo medíocre.
A especialista concluiu apresentando o conceito de culturas antifrágeis na busca pela excelência na execução estratégica nas empresas. Enquanto organizações frágeis punem o erro e funcionários focam apenas na sobrevivência, as culturas antifrágeis utilizam as falhas como insumo para o aprendizado e evolução do negócio.
“Não se executa uma estratégia do futuro com as competências do passado”, finalizou Thayanie, convidando o empresariado sul-mato-grossense a alinhar de forma definitiva o desenvolvimento de suas lideranças aos planos de crescimento de longo prazo.
O post Erros de liderança e falta de capacidade humana fazem 70% das estratégias empresariais falharem apareceu primeiro em RCN67.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Mídia MS no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






