Um diretor de 48 anos de idade foi denunciado sob a acusação de praticar assédio sexual contra uma professora da Rede Municipal de Ensino (Reme). Os episódios teriam ocorrido em uma unidade escolar localizada no bairro Paulo Coelho Machado, na região sul de Campo Grande.
As condutas inadequadas teriam começado em agosto de 2024, mas ganharam contornos oficiais na última semana, data em que a docente compareceu à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para formalizar o boletim de ocorrência.
No depoimento prestado na especializada, a professora relatou que o suspeito costuma tecer insinuações de cunho íntimo e elogios inadequados. De acordo com a vítima, o superior utilizava os momentos de despachos profissionais na diretoria para proferir comentários com forte conotação sexual.
A denúncia aponta episódios específicos em que o gestor se ofereceu para manter encontros em sigilo com a subordinada. Em outra ocasião, ao ser consultado sobre a possibilidade de trocar R$ 1,2 mil em espécie por uma transferência via Pix, o homem questionou se a professora havia conseguido o montante realizando programas.
A vítima detalhou ainda que recebeu uma carona do investigado após um curso de formação de gestores. No trajeto, o homem estacionou o veículo para consumir cerveja e, ao retomar o deslocamento, voltou a dirigir palavras ofensivas e de apelo sexual à docente.
Após rejeitar as investidas, a mulher relatou ter passado a sofrer retaliações sistemáticas e perseguições dentro do ambiente de trabalho. Ela informou que duas atas com ocorrências de teor negativo envolvendo seu nome foram redigidas e divulgadas no ambiente institucional.
O boletim de ocorrência foi tipificado formalmente como assédio sexual e a professora solicitou a concessão de medidas protetivas de urgência ao Poder Judiciário para resguardar sua integridade física e psicológica no cotidiano profissional.
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que a administração pública municipal já iniciou os trâmites administrativos regulamentares para a apuração rigorosa e imediata do caso após tomar conhecimento formal dos fatos.
Com amparo no Estatuto do Servidor Público Municipal, o órgão instaurou uma sindicância administrativa para investigar a conduta do diretor. O procedimento tramita sob sigilo processual para preservar a intimidade das partes e garantir o amplo direito de defesa do servidor.
A pasta encerrou o comunicado reiterando seu repúdio veemente a qualquer modalidade de assédio moral ou sexual. A secretaria ressaltou que segue à disposição das autoridades policiais e do Judiciário para colaborar com o inquérito, priorizando o acolhimento da servidora.
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