Dados sobre pagamentos, planos e presença nos estádios ajudam clubes a reduzir cancelamentos e ampliar receitas.(Foto: A Critica)A inteligência de dados tem ajudado clubes brasileiros a reduzir cancelamentos e ampliar as receitas dos programas de sócio-torcedor. Estudo da FutebolCard aponta que entre 30% e 80% das bases analisadas apresentam algum grau de inatividade, incluindo ex-sócios, cadastros abandonados e perfis bloqueados por inadimplência.
A forma de pagamento aparece entre os fatores que mais influenciam a permanência do torcedor. No boleto bancário, a taxa de cancelamento varia de 75% a 98%. No cartão de crédito recorrente, o índice fica entre 10% e 38%.
O Pix recorrente também surge como alternativa ao boleto, ao facilitar a continuidade dos pagamentos e reduzir problemas relacionados ao esquecimento e à inadimplência.
“Os programas de sócio estão entrando na lógica de assinatura contínua, semelhante ao mercado de streaming, SaaS e serviços digitais”, afirma Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard.
Planos longos trazem mais estabilidade
A duração dos contratos também interfere no desempenho dos programas. Segundo o estudo, os planos mensais apresentam taxas de cancelamento entre 55% e 70%, com maior influência dos resultados do time em campo.
Nos planos anuais ou vitalícios, o índice varia de 20% a 30%. A estratégia dos clubes tem sido estimular a migração para contratos mais longos, que permitem maior previsibilidade de receita.
“Quanto maior o vínculo de longo prazo, menor o cancelamento, já que a previsibilidade das receitas passa a ser prioridade dos clubes”, explica o executivo.
Outro caminho apontado pelo levantamento é a recuperação de antigos associados. Campanhas direcionadas a ex-sócios podem apresentar custo menor do que ações para conquistar novos clientes.
“Reativar essas contas representa um crescimento imediato de receita sem a necessidade de investimentos robustos em mídia”, afirma Robson Carlo.
Presença no estádio aumenta retenção
O estudo também mostra que torcedores que frequentam regularmente os estádios apresentam retenção até três vezes maior do que os associados que mantêm apenas uma relação digital com o clube.
Por isso, a integração entre sistemas de venda de ingressos, cadastro de torcedores e programas de benefícios pode ajudar na criação de experiências mais personalizadas.
A FutebolCard também aponta a importância dos chamados “superfãs”, grupo formado por torcedores muito engajados, influenciadores, embaixadores e ex-atletas capazes de atrair novos associados de forma espontânea.
Apesar do tamanho das torcidas brasileiras, a receita média por torcedor ainda é considerada baixa. O estudo avalia que os clubes precisam desenvolver planos premium, benefícios exclusivos e produtos com diferentes faixas de valor.
“Nesse novo ecossistema, dados precisos tornaram-se o ativo mais valioso para aproximar o clube de sua torcida e assegurar sua saúde financeira”, conclui Robson Carlo.
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