SAQUAREMA (RJ) – Algo que pode chamar a atenção do fã olímpico é que vários surfistas usam duas bandeiras em suas lycras. Dos 60 atletas que disputam a WSL de Saquarema (36 homens e 24 mulheres), nove usam as duas bandeiras. Além da lycra, a ‘dupla nacionalidade’ também está representada nos painéis oficiais expostos perto da entrada principal para a Praia de Itaúna na etapa brasileira da Liga Mundial de Surfe. O caso que mais chama a atenção e é único no mundo do esporte olímpico é o de Tyler Wright, que além da bandeira australiana usa também a bandeira do orgulho LGBTQ+ em sua lycra.
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Curiosamente, os atletas havaianos usam apenas a bandeira do Havaí, atualmente um estado dos Estados Unidos, mas que historicamente foi um Estado independente até 1898. Apenas em Jogos Olímpicos e torneios organizados pela Associação Internacional de Surfe (ISA), eles competem pela bandeira dos EUA.
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Alguns dos casos de atletas com duas bandeiras em Saquarema são por representarem territórios que não são reconhecidos pelo Comitê Olímpico Nacional e portanto, precisam representar outros países. É o caso dos polinésios Kauli Vaast, Tya Zebrowski e Vahine Fierro, que representam a França, mas fazem questão de também vestir a bandeira do Taiti. Caso similar acontece com Nadia Erostarbe, que representou a Espanha nos Jogos Olímpicos Paris-2024, mas também compete com a bandeira do País Basco.
Alejo Muniz representa o Brasil, mas também veste a bandeira da Argentina
O brasileiro Alejo Muniz, a australiana Isabella Nichols, o francês Marco Mignot e a portuguesa Yolanda Hopkins Sequeira ainda usam as bandeiras de países com os quais têm fortes relações pessoais. Alejo Muniz, que vai se aposentar ao fim desta temporada e se despediu do público brasileiro em Saquarema, veste também a bandeira da Argentina, onde nasceu e tem família. É o mesmo caso de Isabella Nichols, nascida na Dinamarca, mas que cresceu na Austrália.
Alejo Muniz na etapa de Saquarema da WSL (Foto: Thiago Diz/WSL)
Marco Mignot nasceu na Nova Caledônia, território ultramarino da França no Pacífico, de um pai francês e uma mãe espanhola, que faziam uma viagem pelo mar durante vários anos. Porém, com quatro anos, ele se mudou para Sayulita, no México, e assim também usa a bandeira mexicana. Curiosamente, ele morou dez anos no Canadá e, portanto, também tem um passaporte canadense, além de francês. Filha de pai português e mãe galesa, Yolanda Hopkins Sequeira também usa a bandeira da Grã-Bretanha na lycra.
Tyler Wright fez história ao usar a bandeira LGTBQ+ no surfe
Já o caso mais curioso e icônico é o de Tyler Wright. Afinal, ela não usa como segunda bandeira uma ‘nação’, como conhecemos o conceito, mas a bandeira de orgulho LGBTQ+. Bicampeã mundial em 2016 e 2017, ela segue entre as melhores do mundo, sendo vice-campeã em El Salvador. Na etapa brasileira, a australiana, nona colocada do ranking, perdeu para Tati Weston-Webb na estreia.
Ela estreou a lycra em dezembro de 2020, na abertura da temporada de 2021. Na ocasião, ela celebrou em seu Instagram.
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Mais um passo na minha percepção do meu eu verdadeiro e autêntico. Como uma mulher bissexual orgulhosa da comunidade LGBTQ+, além de australiana, fico feliz por poder representar ambos este ano na minha camisa de competição. A Bandeira Progressista do Orgulho representa um amor que abriu mais os meus olhos para quem eu realmente sou. Eu vou vencer para que possa continuar usando esta plataforma como um espaço para ter conversas sobre identidade, humanidade e inclusão. Sou abençoada por poder ter uma plataforma na WSL, e sinto a responsabilidade de usá-la de uma forma que dê voz e empodere outras pessoas. Espero poder encorajar outras pessoas a abraçarem exatamente quem são e a se sentirem seguras, expressando isso da forma que for melhor para elas. Estou ansiosa pelo que posso realizar nesta temporada e pelas conversas que podemos ter como comunidade. Estou surfando com mais intenção do que nunca.
A WSL também celebrou na época em um comunicado oficial: “A WSL apoia orgulhosamente Tyler no uso de sua plataforma como campeã mundial e membro orgulhosa da comunidade LGBTQ+ para expressar uma mensagem de inclusão. Acreditamos que o surfe é para todos e estamos incrivelmente orgulhosos dos nossos atletas”.
Soli Bailey estreou a bandeira aborígene no CT
Durante a etapa de Saquarema, o Olimpíada Todo Dia conversou com Christian Beserra, representante dos atletas na WSL. O dirigente brasileiro contou que existe um processo para confirmar a relação que o surfista tenha com o país, mas que é relativamente simples. Sobre o caso de Tyler Wright, ele lembrou sobre a permissão para que Soli Bailey, representante do povo Yaegl, disputasse o CT entre 2018 e 2019 com a bandeira aborígene australiana.
“É um esporte inclusivo, né? Logicamente, nós tivemos atletas que mudaram de nacionalidade por razões diferentes. Independente disso, acho que a WSL teve uma iniciativa legal de permitir que esses atletas representassem outras bandeiras, então, porque tá no sangue deles, né? Diria que é um processo bem suave. Eu, como representante dos atletas, nunca tive nenhum tipo de burocracia ou dificuldade para ajudar alguém nesse tipo de iniciativa”, comentou ele.
Atletas com duas bandeiras no WSL Saquarema 2026
Alejo Muniz (Brasil e Argentina)
Isabella Nichols (Austrália e Dinamarca)
Kauli Vaast (França e Taiti)
Marco Mignot (França e México)
Nadia Erostarbe (Espanha e País Basco)
Tya Zebrowski (França e Taiti)
Tyler Wright (Austrália e Orgulho LGBTQ+)
Vahine Fierro (França e Taiti)
Yolanda Hopkins (Portugal e Grã-Bretanha)
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