Adam Chase, roteirista de Friends, falou no Rio2C sobre IA, streaming e bastidores da série. (Foto: Divulgação)O debate sobre criatividade e inteligência artificial ganhou espaço no Rio2C com uma fala direta de Adam Chase, um dos roteiristas mais longevos de Friends. Durante painel realizado nesta quinta-feira (28), no Rio de Janeiro, ele afirmou que ainda não viu a tecnologia produzir humor de forma convincente. “Eu nunca vi a IA escrever uma piada que eu achasse engraçada”, disse.
Chase participou de um encontro conduzido por Fábio Porchat e aproveitou a conversa para compartilhar bastidores da série, comentar o mercado audiovisual e lembrar o envolvimento de Matthew Perry nos bastidores da produção. Segundo ele, a inteligência artificial pode até servir como apoio de pesquisa, mas não substitui a criação humana. Para o roteirista, a ferramenta devolve uma espécie de cópia pálida do que já existe e precisa estar nas mãos de alguém criativo.
Ao falar de Friends, Adam Chase contou que entrou para a equipe já no segundo episódio da primeira temporada, quando tinha apenas 23 anos. Segundo ele, a escolha por roteiristas jovens foi intencional, porque os criadores Marta Kauffman e David Crane queriam profissionais com idade próxima à dos personagens.
O roteirista também relembrou a origem de algumas das piadas mais conhecidas da sitcom. Uma delas é a cena em que Ross aparece usando calças de couro apertadas, ideia inspirada em uma experiência pessoal do próprio Chase. Já o famoso bordão “How you doin’?”, de Joey, segundo ele, foi criado pela roteirista Shauna Goldberg, contrariando a percepção comum de que a fala teria surgido de um homem.
Ao comentar o elenco, Chase destacou especialmente Matthew Perry, intérprete de Chandler Bing, morto em 2023. Ele afirmou que o ator era um gênio e participava da sala de roteiristas até mesmo por prazer, ajudando a construir piadas e histórias com o mesmo nível de quem escrevia profissionalmente para a série.
Na conversa, Adam Chase também criticou o modelo atual de produção para streaming. Segundo ele, as salas de roteiro estão menores, os roteiristas já não acompanham toda a produção como antes e isso dificulta o surgimento de séries com a mesma longevidade e volume de episódios de Friends. Para ele, produções curtas até podem ser boas, mas não criam uma biblioteca afetiva e duradoura como as grandes sitcoms conseguiram construir.
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