Plano Safra 2026/27 terá R$ 525,1 bilhões para médios e grandes produtores rurais. (Foto: A Crítica)O governo federal vai lançar nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/27 com R$ 525,1 bilhões em recursos para financiar médios e grandes produtores rurais. O valor representa alta de 1,7% em relação ao ciclo anterior, quando foram ofertados R$ 516,2 bilhões, mas ficou abaixo do montante defendido pelo setor agropecuário, que pleiteava entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões.
Além da agricultura empresarial, o plano prevê entre R$ 83 bilhões e R$ 85 bilhões para a agricultura familiar. Com isso, o volume total do programa para a safra 2026/27 deve ficar entre R$ 608 bilhões e R$ 610 bilhões. Segundo o ministro da Agricultura, André de Paula, este será o quarto recorde seguido do Plano Safra no atual governo.
A montagem do programa ocorreu em um cenário considerado difícil pelo próprio Executivo, em meio à desaceleração da queda da Selic, à limitação das fontes de recursos e à pressão do setor por crédito mais barato. Ainda assim, o governo ampliou a participação do Tesouro Nacional na subvenção aos juros da agricultura empresarial, de R$ 3,94 bilhões para R$ 5,56 bilhões, aumento de 41%. Em contrapartida, os recursos equalizados caíram de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, retração de 14,75%.
Um dos principais pontos do novo plano é a redução das taxas de juros. Na safra 2026/27, os financiamentos da agricultura empresarial terão juros entre 8% e 12,5% ao ano. No ciclo anterior, as taxas variavam de 8,5% a 14% ao ano. O recuo chega a 1,5 ponto percentual em algumas linhas, movimento tratado pelo governo como um esforço para aproximar o crédito da realidade do setor.
No Pronamp, voltado aos médios produtores, o volume de recursos com taxas controladas será de R$ 72,6 bilhões, alta de 5% sobre os R$ 69,1 bilhões da safra atual. Os juros cairão de 10% para 9% ao ano. O limite de renda bruta anual para enquadramento no programa foi mantido em R$ 3,5 milhões. O governo também incluiu a possibilidade de financiar a compra de matrizes reprodutoras e igualou a taxa de comercialização à de custeio, ambas em 9% ao ano.
Do total destinado à agricultura empresarial, R$ 384,9 bilhões irão para custeio e comercialização, valor 7,2% menor que o da temporada passada. Já as linhas de investimento terão R$ 140,2 bilhões, aumento de 38% sobre os R$ 101,5 bilhões anteriores. Nesse bloco estão R$ 10 bilhões do Move Agrícola, voltado ao financiamento de máquinas e equipamentos, e R$ 28,5 bilhões do EcoInvest Brasil, para recuperação de pastagens degradadas.
Alguns programas tradicionais, porém, perderam espaço. O Moderfrota terá R$ 5,8 bilhões em recursos equalizados, contra R$ 12,58 bilhões no ciclo anterior, queda de 54%. O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns, o PCA, recuou de R$ 8,2 bilhões para R$ 5,9 bilhões. Apesar disso, as taxas dessas linhas foram reduzidas: no Moderfrota, ficarão entre 11,5% e 12,5% ao ano; no PCA, entre 8% e 9,5%.
Segundo o Ministério da Agricultura, a decisão levou em conta a cautela maior dos produtores com investimentos de longo prazo e a execução abaixo do esperado dessas linhas na safra atual. A leitura do governo é que o reforço no custeio, combinado à queda dos juros, atende de forma mais próxima ao comportamento recente do mercado.
O plano também mantém desconto de 0,5 ponto percentual nos juros de custeio para produtores com Cadastro Ambiental Rural validado, boas práticas ambientais ou contratos do Renovagro. A expectativa do governo é que, após o anúncio oficial, a publicação das normas complementares e a operacionalização pelos bancos, os recursos estejam disponíveis aos produtores em até 15 dias.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Mídia MS no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.







