Alckmin afirma, em evento da Iata, que Brasil tem condições de liderar produção de SAF. (Foto: Paulo Pinto)O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste domingo (7) que o Brasil está em posição favorável para liderar o desenvolvimento e a produção de combustível sustentável de aviação, o SAF, durante a abertura da 82ª Assembleia Geral Anual da Iata, realizada no Rio de Janeiro. A entidade confirmou que o encontro ocorre entre os dias 6 e 8 de junho, na capital fluminense.
Ao defender o potencial brasileiro, Alckmin disse que o país reúne condições que poucos mercados têm ao mesmo tempo, como produção de biocombustíveis, base agroindustrial, biodiversidade e estrutura de pesquisa. Na fala, sustentou que o Brasil pode ocupar papel estratégico na descarbonização do setor aéreo, justamente em um momento em que a busca por alternativas ao combustível fóssil ainda avança em ritmo limitado no mundo.
O vice-presidente também afirmou que a aviação global enfrenta desafios que não podem ser resolvidos de forma isolada. Citou o custo elevado e volátil do combustível, as cadeias de suprimento ainda afetadas pela pandemia, a pressão crescente por descarbonização e a falta de mão de obra qualificada em vários mercados.
No mesmo debate, a Iata apontou que a produção global de SAF deve chegar a cerca de 2,4 milhões de toneladas em 2026, volume equivalente a apenas 0,8% do consumo total de combustível da aviação. Para o diretor-geral da associação, Willie Walsh, o cenário ainda é frustrante, com políticas públicas mal coordenadas e baixo interesse das empresas petrolíferas.
Nesse contexto, o Brasil aparece, segundo a avaliação do setor, como um candidato relevante a ampliar a oferta desse tipo de combustível nas próximas décadas. A Iata vê o país com potencial para se transformar em fornecedor global de matéria-prima e exportador de SAF, apoiado em programas e marcos regulatórios voltados à transição energética.
Ao falar da política para o setor aéreo, Alckmin citou medidas adotadas pelo governo para ampliar a competitividade da aviação, como a alíquota zero de PIS/Cofins sobre o transporte aéreo regular de passageiros e a redução gradual do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre operações de leasing de aeronaves. Também destacou a inclusão do setor aeronáutico entre os segmentos estratégicos da Nova Indústria Brasil e a adesão do país ao acordo da OMC sobre comércio de aeronaves civis.
O vice-presidente ainda voltou a defender a aviação regional como instrumento de integração nacional e citou o programa AmpliAR, que busca ampliar a infraestrutura aeroportuária regional. O governo federal já apresentou o projeto como uma iniciativa para expandir a malha aérea e aumentar investimentos no setor.
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