Investigação dos Estados Unidos sobre trabalho escravo no Brasil inclui denúncias sobre falta de fiscais do trabalho (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)Uma denúncia sobre a falta de auditores fiscais do trabalho no Brasil foi enviada ao governo dos Estados Unidos e passou a integrar uma investigação comercial aberta pela gestão do presidente Donald Trump. O caso foi discutido durante a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca nesta quinta-feira (7), segundo informações divulgadas pelo Estadão.
A investigação é conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e apura possíveis falhas de países no combate ao trabalho forçado. Dependendo do resultado, o processo pode levar à aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano.
Documentos enviados ao governo americano apontam um suposto déficit no número de fiscais do trabalho no Brasil e afirmam que a estrutura atual compromete o combate ao trabalho análogo à escravidão. Segundo entidades ligadas à fiscalização trabalhista, o país teria atualmente cerca de 2,6 mil auditores ativos, número considerado insuficiente para atender a demanda nacional.
As denúncias também afirmam que a redução do quadro de fiscalização pode gerar impactos negativos em áreas como combate ao trabalho infantil, segurança do trabalho e operações de resgate de trabalhadores em condições irregulares. Parte dos documentos enviados aos EUA pede, inclusive, a aplicação de tarifas sobre setores brasileiros considerados mais vulneráveis à exploração de mão de obra.
O governo brasileiro contestou as acusações e enviou resposta oficial ao USTR defendendo que o país possui uma das legislações mais rígidas do mundo no combate ao trabalho escravo. O Itamaraty destacou operações recentes de fiscalização e afirmou que milhares de trabalhadores foram resgatados nos últimos anos em ações coordenadas pelo Ministério do Trabalho.
Segundo dados apresentados pelo governo federal, mais de 2,7 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em 2025. O Brasil também encaminhou aos Estados Unidos a chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro utilizado para monitorar empresas envolvidas nesse tipo de prática.
O caso acontece em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e amplia a preocupação do governo brasileiro com possíveis impactos econômicos caso novas barreiras comerciais sejam adotadas pelo governo Trump.
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