A alta no preço do diesel voltou a colocar o setor de transporte em alerta no Brasil. Movimentos nacionais de caminhoneiros passaram a discutir uma possível greve após sucessivos reajustes no combustível, impulsionados por tensões internacionais. Apesar disso, representantes do setor em Mato Grosso do Sul avaliam que uma paralisação, neste momento, é pouco provável.
A mobilização ganhou força no início da semana, liderada pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, com apoio inicial da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística. No entanto, a confederação recuou no dia seguinte e informou que vai discutir o tema com lideranças da categoria antes de qualquer decisão.
O cenário de pressão sobre o diesel está diretamente ligado ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo países como Estados Unidos, Israel e Irã, que impactam o mercado internacional de petróleo e refletem nos custos do transporte rodoviário brasileiro.
Desde o fim de fevereiro, o preço do diesel acumulou alta de cerca de 18,86%, afetando diretamente caminhoneiros autônomos e empresas de logística, já que o modal rodoviário é responsável pela maior parte do transporte de cargas no país.
Em Mato Grosso do Sul, no entanto, o clima é de cautela. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do Pantanal, Lourival Vieira Costa Júnior, afirma que não acredita em uma greve no Estado. Segundo ele, o problema tem origem externa e foge ao controle direto do governo federal.
Enquanto isso, o Governo Federal do Brasil tenta conter os impactos. Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, medida que pode gerar redução de até R$ 0,64 por litro, somando corte tributário e subsídios.
Mesmo assim, o governo reconhece que o efeito pode não chegar integralmente ao consumidor. Por isso, intensificou ações de fiscalização em todo o país.
Uma força-tarefa envolvendo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Procons estaduais e o Ministério da Justiça e Segurança Pública foi montada para apurar possíveis aumentos abusivos nos preços praticados por distribuidoras e postos.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira de Oliveira, reforçou que a população pode contribuir denunciando irregularidades aos órgãos de defesa do consumidor.
Paralelamente, a Polícia Federal instaurou inquérito para investigar possíveis crimes contra a economia popular e formação de cartel no setor de combustíveis. As apurações incluem suspeitas de retenção de produtos, manipulação de preços e práticas que prejudicam o abastecimento.
Além disso, estados resistem a reduzir o ICMS sobre o diesel. O Comsefaz argumenta que novas desonerações podem agravar perdas fiscais já acumuladas, estimadas em cerca de R$ 189 bilhões desde 2022, sem garantia de redução efetiva ao consumidor.
Especialistas do setor apontam que, mesmo com medidas tributárias, fatores como câmbio, preço do barril de petróleo e custos logísticos continuam sendo determinantes para o valor final do diesel.
Diante desse cenário, o risco de greve segue no radar nacional, mas com baixa adesão em estados como Mato Grosso do Sul. A tendência, por ora, é de aumento da pressão sobre o governo e intensificação da fiscalização, enquanto o mercado reage às variáveis externas.
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