Gustavo Kuerten acompanha em Paris mais um capítulo marcante do tênis brasileiro. (Foto: Thibault Camus)A classificação de João Fonseca às quartas de final de Roland Garros ganhou um peso ainda maior neste domingo (31) não só pelo tamanho do resultado, mas também pelo simbolismo da cena vivida em Paris. Aos 19 anos, o carioca derrotou Casper Ruud, alcançou a melhor campanha de sua carreira em Grand Slams e, logo depois, fez questão de dividir o momento com Gustavo Kuerten, que acompanhou a partida das tribunas da Philippe Chatrier.
Com o resultado, João se tornou o primeiro brasileiro a chegar a essa fase do torneio desde 2004, justamente o último ano em que Guga apareceu entre os oito melhores de Roland Garros. Por isso, a presença do tricampeão do Grand Slam francês nas arquibancadas ajudou a dar um contorno ainda mais especial à classificação, transformando a vitória sobre o norueguês em um capítulo de forte valor simbólico para o tênis brasileiro.
Depois do jogo, Fonseca falou com emoção sobre o ídolo e ressaltou a importância de tê-lo por perto em um momento tão marcante da carreira. “Ele é um ídolo. Um ídolo para o nosso esporte, para o nosso país. Pela sua carisma, pela forma como ele é, pela humildade que demonstra. Ele estava presente na minha primeira vez em Roland Garros, na minha primeira partida como juvenil, e é um prazer tê-lo aqui. É um prazer vencer um adversário tão difícil na frente dele. Estou muito feliz”, afirmou.
A fala de João ajuda a dimensionar a ligação entre as duas gerações. De um lado, Guga, maior nome da história do tênis brasileiro e tricampeão em Paris. Do outro, um jogador de 19 anos que vive ascensão acelerada e já consegue recolocar o Brasil em uma fase do torneio que não era alcançada havia mais de duas décadas. Sem precisar forçar comparações, o momento carrega um sentido claro de passagem histórica dentro do esporte brasileiro.
Fonseca também valorizou o apoio da torcida, que permaneceu no complexo parisiense até o fim da partida e voltou a empurrar o brasileiro em mais uma atuação de peso. “Obrigado a toda a torcida brasileira que ficou aqui até agora. O sonho continua”, declarou o tenista, resumindo o clima de empolgação que cerca sua campanha no saibro francês.
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