A Coca-Cola começou a reduzir a presença da tradicional garrafa de 2 litros no Brasil e passou a ampliar a oferta de versões menores, como a de 1,25 litro. A mudança ocorre em um cenário de pressão no orçamento das famílias e adaptação do consumo.
Na prática, o consumidor encontra preços mais baixos na gôndola, mas leva menos produto para casa. O fenômeno, conhecido como shrinkflation, tem se intensificado no país.
A substituição das embalagens maiores está diretamente ligada ao aumento do custo de vida. Com gastos elevados em itens essenciais, como alimentação e energia, muitos consumidores passaram a reduzir compras consideradas secundárias.
Nesse contexto, o refrigerante deixa de ser item frequente em grandes volumes. A alternativa encontrada é optar por embalagens menores, que cabem no orçamento imediato, ainda que isso implique compras mais frequentes.
Menor volume, maior custo proporcional
Apesar da aparente economia, embalagens menores costumam ter preço mais alto por litro. Ou seja, ao longo do mês, o consumidor pode acabar gastando mais para consumir a mesma quantidade.
Esse comportamento mascara o impacto real no bolso: o gasto é diluído em compras menores, mas o custo final tende a ser maior.
Impacto nas famílias
A mudança atinge principalmente famílias que costumavam priorizar embalagens grandes por economia. A garrafa de 2 litros sempre foi associada ao consumo coletivo, como refeições em grupo e encontros de fim de semana.
Com a redução do tamanho, muitos consumidores acabam comprando mais unidades para compensar o volume, elevando o gasto total sem perceber.
Estratégia global
A mudança ocorre sob nova liderança global da empresa, com Henrique Braun no comando desde 2026. A estratégia de priorizar embalagens menores já vinha sendo aplicada em outros mercados, como os Estados Unidos.
No Brasil, o modelo ganha força em um momento de maior sensibilidade ao preço.
Mesmo com o consumidor comprando menos volume por vez, a companhia registra crescimento. No primeiro trimestre de 2026, a empresa apresentou aumento de receita e lucro, impulsionado pela reorganização do portfólio e venda de concentrados.
No país, houve crescimento nas vendas, ainda que sustentado por adaptações no padrão de consumo.
Órgãos como o Procon orientam que o consumidor observe o preço por litro antes da compra. A informação deve estar clara no rótulo para evitar interpretações equivocadas.
A recomendação é comparar diferentes tamanhos e avaliar o custo real do produto.
Tendência no mercado
A estratégia pode influenciar outras empresas do setor de bebidas e alimentos. A redução de volume com manutenção de preços é uma alternativa para preservar margens em períodos de instabilidade econômica.
Se o movimento se ampliar, o consumidor pode enfrentar um mercado com embalagens cada vez menores e custo proporcional mais elevado — reflexo direto da pressão sobre o poder de compra no país.
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