Banco do Brasil avalia que crédito rural segue em circulação, apesar da desaceleração nos desembolsos do Plano Safra. (Foto: José Cruz)A queda nos desembolsos do Plano Safra 2025/26 até março não representa uma paralisação do crédito rural, segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt. Em entrevista após a abertura da 31ª Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, ele afirmou que a retração está ligada principalmente à redução nas linhas de investimento para médios e grandes produtores, em um cenário de juros elevados e reorganização financeira no campo.
Segundo levantamento, os desembolsos do Plano Safra somaram R$ 259,879 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, uma queda de 9% em relação aos R$ 285,689 bilhões liberados no mesmo período da safra anterior. Ainda assim, Bittencourt afirma que o dado não revela sozinho todo o movimento do crédito no setor.
Quando entram na conta também as Cédulas de Produto Rural financiadas pelos bancos, o volume destinado à agricultura empresarial chega a R$ 403,981 bilhões, com alta de 10% sobre o ciclo anterior. Para o executivo, isso mostra uma mudança no perfil do financiamento, com recuo mais forte no crédito rural tradicional e avanço das operações via CPR.
De acordo com ele, a principal retração está nas linhas de investimento e nas operações com taxas livres. Com a Selic em 14,75% ao ano, muitos produtores têm adiado projetos para reorganizar o fluxo de caixa, enquanto os bancos adotam mais cautela na concessão, com maior exigência de garantias e análise mais rigorosa da capacidade de pagamento. Ainda assim, Bittencourt afirma que o sistema continua operando. “Mas o dinheiro está fluindo, o crédito está sendo liberado”, garantiu.
O executivo também destacou o papel da renegociação de dívidas para destravar novas operações. Segundo ele, o Banco do Brasil já renegociou R$ 36,5 bilhões com base na Medida Provisória 1.314, editada em setembro de 2025 para atender produtores afetados por eventos climáticos. Desse total, R$ 33,2 bilhões são de operações com taxas livres e R$ 3,2 bilhões de taxas controladas.
Sobre a nova rodada de renegociação em discussão no Congresso, Bittencourt avaliou que o impacto na Agrishow deve ser pequeno. Segundo ele, quem procura a feira para investir costuma ser o produtor com fluxo de caixa em dia. Para este ano, o Banco do Brasil projeta até R$ 3 bilhões em propostas de negócios na Agrishow, valor ligeiramente inferior ao registrado em 2025.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Mídia MS no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






