Crescimento da população idosa amplia mercado e pressiona empresas a adaptar atendimento e serviços. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) Com mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o Brasil avança para ocupar uma posição de destaque no envelhecimento da população e, junto com essa mudança, amplia também o peso econômico de um público que já movimenta R$ 2 trilhões no país, segundo estudo da consultoria Data8. O cenário ajuda a explicar por que empresas de diferentes setores passaram a rever atendimento, estrutura e serviços para alcançar os consumidores da chamada economia prateada.
O termo faz referência ao mercado formado tanto por pessoas idosas que consomem quanto por quem empreende para atender esse grupo. Na prática, a mudança já impõe ajustes nos modelos de negócio, com demandas que passam por melhor iluminação nas lojas, sinalização mais visível, acessibilidade, atendimento acolhedor e processos de compra mais simples.
Economia prateada, a economia liderada por pessoas com 60+. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Para a gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae, Gilvany Isaac, a transformação acompanha uma alteração mais profunda na estrutura da sociedade brasileira. Segundo ela, os empreendimentos que entenderem esse novo perfil terão acesso a um mercado em expansão e, ao mesmo tempo, poderão atuar em um modelo mais conectado à longevidade.
Na ponta do consumo, o bancário aposentado João Gualberto de Almeida Teixeira, de 70 anos ou mais, resume o que considera mais importante no atendimento: atenção. Ele relata que, em muitos locais, os atendentes se distraem com outras tarefas e deixam de oferecer o cuidado necessário. Para ele, o contato direto, com escuta e olho no olho, continua sendo essencial.
Mercados ganham destaque
A leitura desse comportamento ajuda a explicar os segmentos vistos como mais promissores para o público 60+. Entre eles, Gilvany cita saúde e bem-estar, com academias especializadas e treinos adaptados, pensados mais para funcionalidade do que para estética. Também aparecem nesse grupo os serviços de telemedicina e o monitoramento remoto de saúde.
Outro espaço de crescimento está no trabalho de cuidadores, que podem atuar como microempreendedores individuais, com CNPJ, o que, segundo a gestora, oferece mais segurança para as famílias e também para os próprios profissionais.
Turismo e lazer também entram nessa lista, especialmente com pacotes fora da alta temporada, roteiros culturais e viagens de experiência. Há ainda oportunidades nas áreas de serviços financeiros, com foco em planejamento para aposentadoria ativa, e em habitação adaptada, com soluções de arquitetura e acessibilidade voltadas ao conforto da pessoa idosa dentro de casa.
Ao mesmo tempo, o comércio eletrônico avança entre consumidores com mais de 60 anos. Esse movimento, porém, vem acompanhado de um desafio, já que esse público é apontado como o que mais sofre golpes. Por isso, cresce também a procura por capacitação digital, com escolas e iniciativas voltadas ao ensino de computação e uso de ferramentas eletrônicas.
Incentivo a microempreendedores
Esse mercado em expansão também movimenta pequenos empreendedores. Foi o caso de João Lopes, de 54 anos, que procurou o Sebrae-RJ para estruturar um negócio direcionado ao público mais velho. Em junho de 2024, ele criou a Mel Mania, empresa que comercializa mel para todo o país e tem nos consumidores com mais de 60 anos sua principal porta de entrada.
Segundo ele, o público da marca é formado majoritariamente por pessoas dessa faixa etária. Um dos clientes, de 84 anos, compra mensalmente, em uma relação parecida com assinatura, e acabou levando o consumo para toda a família.
Além da venda do produto, a empresa também capacita, sem custo, pessoas que têm espaços ociosos para produção de mel. João fornece instrumentos, oferece suporte e depois compra a produção dos parceiros. De acordo com ele, a Mel Mania já inseriu 112 pessoas na apicultura. Após a experiência com o Sebrae, passou a enxergar o próprio negócio como uma iniciativa de impacto social, por gerar renda a outras pessoas.
O microempreendedor João Lopes fala sobre a produção de mel da Mel Mania. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
No Rio de Janeiro, o Sebrae mantém uma ação voltada justamente à população mais madura que deseja continuar ativa no mercado. O projeto Sebrae Economia Prateada está na terceira edição e terá nova turma em maio. Até agora, 144 pessoas já foram atendidas.
Segundo a gestora do projeto e analista do Sebrae-RJ, Juliana Lima, o perfil dos participantes é majoritariamente feminino e reúne empreendedores de diferentes áreas, como gastronomia, economia criativa, artesanato, moda, beleza e consultoria em prestação de serviços.
Mudanças no comportamento
Juliana observa que o envelhecimento no Brasil mudou e que o comportamento desse público já não corresponde à imagem de décadas atrás. Hoje, segundo ela, são pessoas ativas, que viajam, estudam, namoram, se preocupam com a aparência e buscam qualidade de vida.
O projeto é desenvolvido em parceria com instituições como o Serviço Social do Comércio, o Sesc, e o governo do estado, numa tentativa de ampliar o alcance da iniciativa. Em outubro do ano passado, os empreendedores seniores representavam 16% do total de donos de negócios no estado do Rio de Janeiro.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias do Mídia MS no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






