Funcionários da USP aprovaram greve a partir de 14 de abril após criação de gratificação para docentes. (Foto: Tiago Queiroz)Os funcionários da Universidade de São Paulo aprovaram greve a partir da próxima terça-feira, 14 de abril, em reação à criação de uma gratificação voltada exclusivamente aos professores. A paralisação foi decidida em assembleia híbrida realizada nesta quinta-feira, 9, no campus Butantã e pela internet. Até a publicação da decisão, a reitoria não havia se manifestado.
No centro da crise está a Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas, a Gace, aprovada no fim de março. A medida prevê pagamento extra de até R$ 4.500 a docentes que apresentarem novos projetos, com a justificativa de reter talentos, sobretudo entre contratações mais recentes da universidade.
O adicional será pago mensalmente por dois anos e poderá ser solicitado apenas por professores em regime de dedicação integral, grupo que representa mais de 80% do corpo docente da USP. Hoje, o salário inicial de um professor doutor em dedicação exclusiva é de R$ 16,3 mil, e o bônus pode representar cerca de 27% desse valor.
Pelos cálculos apresentados, o custo anual da medida pode chegar a R$ 238,44 milhões, caso cerca de 5 mil docentes apresentem projetos. Para os servidores técnico-administrativos, a criação do benefício rompe o princípio da isonomia dentro da universidade.
A categoria defende que o mesmo montante previsto para os professores seja dividido entre os funcionários, o que poderia resultar em reajuste salarial de até R$ 1.600. Além disso, o movimento cobra recomposição integral das perdas inflacionárias acumuladas desde 2012, estimadas em 14,5%.
“O professor aqui não trabalha sozinho, os funcionários ficam nos laboratórios, nas aulas. Eles precisam dos trabalhadores para desenvolver suas pesquisas”, afirmou Solange Conceição Lopes, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP.
A tensão em torno do tema já havia provocado uma paralisação em 31 de março, data em que a proposta foi analisada pelo Conselho Universitário. Agora, com a aprovação do indicativo de greve, a mobilização avança para uma interrupção mais ampla das atividades.
Segundo dados de 2024 divulgados pela própria universidade, a USP tem mais de 5.300 professores e cerca de 12.600 funcionários técnico-administrativos.
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