O avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul levou à mobilização de uma operação inédita em Dourados, com a participação de militares no combate ao mosquito transmissor da doença. A medida ocorre em meio ao aumento expressivo de casos e à classificação do cenário como crítico pelas autoridades de saúde.
A operação envolve cerca de 40 militares, com apoio logístico e atuação direta nas áreas mais afetadas, especialmente nas aldeias Jaguapiru e Bororó, na Reserva Indígena de Dourados. As equipes passaram por treinamento e começaram a atuar no controle de focos do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da chikungunya, dengue e zika.
O município concentra a maior parte dos casos no estado. Desde o início de 2026, Mato Grosso do Sul já soma mais de 1,7 mil casos confirmados da doença, sendo que Dourados lidera os registros e apresenta também maior número de óbitos, com forte impacto em comunidades indígenas.
Diante da gravidade, o governo federal reconheceu situação de emergência na cidade e destinou recursos para reforçar o atendimento à população, ampliar ações de limpeza urbana e intensificar o combate ao vetor. Além disso, equipes da Força Nacional do SUS foram enviadas para atuar em conjunto com profissionais locais.
A estratégia de enfrentamento inclui visitas domiciliares, eliminação de criadouros, ampliação da testagem e criação de novos leitos para atendimento de pacientes. A vacinação também passou a integrar o plano de resposta, com o envio de milhares de doses para a região sul do estado.
Especialistas alertam que a situação tende a se prolongar. Como o vírus chegou recentemente ao estado, há grande número de pessoas ainda suscetíveis à infecção, o que pode manter a transmissão ativa por mais tempo, inclusive nos próximos anos.
Outro fator que contribui para a disseminação da doença é o ambiente urbano associado a problemas estruturais, como acúmulo de lixo e dificuldade de saneamento em algumas regiões. Esses elementos favorecem a proliferação do mosquito e dificultam o controle do surto, mesmo com ações intensificadas.
A chikungunya provoca febre alta e dores intensas nas articulações, podendo causar complicações graves, principalmente em idosos, crianças e pessoas com comorbidades. Em Dourados, o impacto tem sido ainda mais severo em populações vulneráveis, o que reforça a necessidade de ações integradas.
A mobilização de militares marca uma nova etapa no enfrentamento da doença em Mato Grosso do Sul e evidencia a dimensão do problema. Autoridades destacam que, além das ações governamentais, a participação da população é fundamental para eliminar focos do mosquito e conter o avanço da doença.
Crédito editorial: Redação assinada por Laís Chulli, editora-chefe do Mídia NAS e Mídia MS.
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