Manter horários irregulares para dormir pode representar um risco silencioso à saúde do coração. É o que aponta um estudo recente divulgado em 2026, que reforça a importância não apenas da quantidade, mas da regularidade do sono na prevenção de doenças cardiovasculares.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Oulu, na Finlândia, acompanhou mais de 3 mil pessoas ao longo de anos e identificou uma associação direta entre padrões irregulares de sono e maior incidência de eventos cardíacos graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
De acordo com os resultados, indivíduos que variam frequentemente o horário de dormir podem apresentar até o dobro de risco de desenvolver problemas cardiovasculares, especialmente quando o tempo total de sono é inferior a oito horas por noite.
O estudo analisou participantes desde a meia-idade, monitorando seus hábitos de sono por dispositivos eletrônicos e acompanhando sua saúde por mais de uma década. Ao longo desse período, os pesquisadores cruzaram dados de rotina de sono com registros médicos, identificando uma relação consistente entre irregularidade no horário de dormir e o aumento de eventos cardíacos.
Outro ponto relevante é que a regularidade parece ser tão — ou até mais — importante do que a duração do sono. Pesquisas anteriores já haviam indicado que mesmo pessoas que dormem entre sete e nove horas por noite podem apresentar maior risco cardiovascular se não mantiverem horários fixos para dormir e acordar.
Especialistas explicam que essa relação está ligada ao chamado ritmo circadiano — o relógio biológico que regula funções essenciais do organismo ao longo de 24 horas. Quando esse ciclo é constantemente alterado, o corpo sofre desregulações que podem afetar pressão arterial, metabolismo e funcionamento do sistema cardiovascular.
Além disso, hábitos irregulares de sono costumam estar associados a outros fatores de risco, como alimentação inadequada, sedentarismo e maior exposição ao estresse, o que potencializa ainda mais os impactos na saúde.
Embora os pesquisadores ressaltem que o estudo não comprova uma relação direta de causa e efeito, os resultados reforçam uma recomendação simples e acessível: manter horários consistentes para dormir pode ser uma estratégia eficaz para proteger o coração.
A descoberta ganha relevância em um contexto em que rotinas cada vez mais flexíveis — impulsionadas pelo uso de tecnologia, trabalho remoto e mudanças no estilo de vida — têm contribuído para a desorganização dos padrões de sono. Nesse cenário, pequenas mudanças na rotina podem representar ganhos significativos para a saúde a longo prazo.
Crédito editorial: Redação assinada por Laís Chulli, editora-chefe do Mídia NAS e Mídia MS
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